Heloisa Junqueira Fleury e Carmita Helena Najjar Abdo
Texto baseado no artigo “Estressores financeiros e o comprometimento da saúde mental e sexual” de Heloisa Junqueira Fleury e Carmita Helena Najjar Abdo (2022)
Por Vanessa Pereira de Lima
O artigo “Estressores financeiros e o comprometimento da saúde mental e sexual”, de Heloisa Junqueira Fleury e Carmita Helena Najjar Abdo, publicado em 2022 na Revista Diagnóstico e Tratamento, faz uma breve discussão a respeito do agravo na saúde mental e sexual durante a pandemia. O texto apresenta a questão financeira como um dos estressores na relação conjugal. Também faz uma correlação com as expectativas de uma renda que seja satisfatória para a manutenção da relação, que, quanto maior for a diferença da condição econômica do casal ou de um dos membros, maiores são os estresses gerados, alterando na qualidade de vida deles.
Assim, o texto discorre sobre a influência dos estressores financeiros como um possível causador de questões como depressão, diminuição da satisfação conjugal, aumento de conflitos que podem levar ao divórcio. Por mais que o texto foque a lente de análise na questão financeira, muitos outros fatores são partes dessa trama, como a influência da religião, posicionamentos políticos, assimetrias de gênero, a sobrecarga que recai sobre a mulher, enfim, são muitos os motivos de conflitos, sendo um deles, a questão financeira. Apesar do formato do texto, ele pode ser considerado um convite a uma maior profundidade do tema.
O artigo foi escrito no contexto da pandemia, então apresenta como as condições sanitárias instauradas agravou ou potencializou o aumento de estresse e outros agravos na saúde mental e sexual dos casais. Segundo o texto, fatores psicológicos podem interferir nas questões sexuais e uma das causas desses fatores inclui a forma com que os cassais gerenciam suas finanças. Quando conseguem estabelecer um diálogo construtivo que leva os casais a gerenciarem de forma compartilhada, há uma melhor qualidade na relação. Isso nos leva a pensar em como a relação dialógica é importante para o bem-estar das relações. Neste caso, o diálogo que o casal consegue estabelecer é o que os levará a encontrar um ponto comum.
O bem-estar financeiro não está só relacionado a uma renda satisfatória, mas também com a dimensão subjetiva que é a satisfação com a condição da renda. Embora o artigo faça uma correlação, da depressão como uma incidência nas relações conjugais, a partir de um estudo feito com diversos países, deixa o questionamento sobre o contexto desses países, as condições da pesquisa, dos métodos, limitações ou particularidades de cada estudo, questões raciais, de classe e de gênero. Enfim, questões que poderiam ampliar o campo de análise entre estressores financeiros e satisfação conjugal, atravessamentos os quais são a base do construcionismo social.
Outra questão que o texto levanta sem maior aprofundamento, chegando próximo de generalizações, encontra-se na parte em que aborda a influência de contas individuais na satisfação feminina. Esse trecho é apresentado sem explorar as múltiplas dinâmicas, configurações e expectativas entre os casais, incluindo as expectativas socioculturais que podem modelar essas percepções.
Para concluir, o texto oferece uma pista valiosa sobre o impacto dos estressores financeiros na saúde mental e sexual e no relacionamento conjugal, especialmente no contexto da pandemia, onde tivemos que lidar com tantos inesperados. O texto identifica alguns problemas que podem estar associados com a (in)satisfação na relação conjugal, levando ao agravo da saúde mental e sexual dos parceiros, sendo uma pista para quem gostaria de se aprofundar no tema.
Referência
FLEURY, H. J.; ABDO, C. H. N. Estressores financeiros e o comprometimento da saúde mental e sexual. Diagnóstico e Tratamento, [S. l.], v. 27, n. 2, p. 44–47, 2022. Disponível em: https://periodicosapm.emnuvens.com.br/rdt/article/view/313. Acesso em: 29 maio. 2025.
Vanessa Pereira de Lima
Aluna colaboradora da 4ª turma do Curso de Formação em Terapia Familiar Sistêmica Contemporânea
Psicóloga Social
Doutora em Psicologia Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Coordenadora de projeto social na Organização da Sociedade Civil Redes da Maré
Colaboradora do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro
