(2020) de P. Martins & M. Arantes
A seguinte resenha possui como objetivo destacar algumas reflexões do livro “7 Ideias para não ser um terapeuta sabe-tudo”, dos psicólogos Pedro Martins e Marina Arantes. O texto apresenta um conjunto de reflexões essenciais para um trabalho de abordagem dialógica, visando aprimorar a prática clínica e fortalecer a relação terapêutica entre profissional e cliente. De forma leve e didática, as pessoas autoras trazem à tona a importância da humildade, da escuta ativa e do reconhecimento dos limites do saber, desmistificando a figura do terapeuta como um “detentor absoluto da verdade”.
Arantes & Martins narram no início da escrita um pouco sobre o processo de construção do livro, uma resposta a um dilema apresentado por uma terapeuta recém atuante da clínica em um contexto de supervisão. Muito se era falado sobre a postura dialógica em terapia tida por um profissional, mas colocar em prática essa forma de interação com a pessoa cliente ainda era um desafio. A partir dessa troca em supervisão, as pessoas autoras organizaram algumas reflexões, alertas e ideias sobre uma possível postura a ser adotada por terapeutas para evitar se tornarem o “terapeuta sabe-tudo”.
Uma das primeiras ideias abordadas é a relevância de cultivar a curiosidade genuína. Segundo Martins, a postura inquisitiva e respeitosa diante da experiência do cliente enriquece o processo terapêutico e evita interpretações apressadas ou enviesadas. Ele ressalta que o papel do terapeuta não é “decifrar” a pessoa cliente, mas, antes, ajudá-la a explorar seus próprios caminhos. Esta perspectiva subverte a ideia tradicional de autoridade do terapeuta, promovendo uma relação mais horizontal.
Outro ponto destacado é a necessidade de abandonar scripts pré definidos. Martins alerta contra a tentação de encaixar a experiência do cliente em teorias ou modelos rígidos, argumentando que cada ser humano traz uma história única que merece ser compreendida no seu próprio contexto. Assim, a pessoa terapeuta deve estar atenta às nuances individuais, ajustando suas abordagens às necessidades específicas de cada caso.
As pessoas autoras também abordam o papel da pessoa terapeuta como uma facilitadora, em vez de uma solucionadora de problemas. Elas enfatizam que a mudança deve vir da pessoa cliente, cabendo à pessoa profissional criar um ambiente seguro e acolhedor para que isso aconteça. Esse ponto está intimamente ligado à ideia de respeitar o tempo e o ritmo de uma pessoa cliente, um tema central em terapias contemporâneas.
Além disso, Martins sugere que as pessoas terapeutas reflitam constantemente sobre sua prática, aceitando que não possuem todas as respostas. Essa perspectiva é vista como uma força, e não como uma fraqueza, pois abre espaço para o aprendizado contínuo e o trabalho em equipe, quando necessário.
O texto de Martins e Arantes destaca-se por oferecer orientações práticas, mas sem perder a profundidade teórica. Sua linguagem acessível facilita a compreensão até mesmo para leitores fora da área da psicologia, tornando-o uma leitura recomendada para quem busca compreender melhor o papel de uma pessoa terapeuta ética e responsável.
Referências
